.:: War Facts ::. Trégua de Natal (1914)


O ser humano prova-se cada vez mais cruel, como observamos em tempos tão tortuosos. Ainda assim, é possível recolher fatos isolados que demonstram que nem tudo está perdido, e até nos ápices bélicos, nas guerras mais cruéis e angustiantes, existem exemplos de amistosidade e consciência entre os dois lados conflitantes.

O dia 25 de dezembro de 1914 situava-se cronologicamente no quinto mês do conflito que hoje chamamos de Primeira Guerra Mundial, mas que na época era chamada de Grande Guerra. Dizem os relatos que os alemães montaram pinheiros com velas acessas, situando-os ao longo das trincheiras do Front Oeste, em Ypres, na Bélgica. Em seguida entoaram cânticos de natal em sua língua, surpreendendo os ingleses, que à esta altura já tinham noticiado os atos alemães a seus superiores, recebendo ordens de que não deveriam, sob hipótese alguma, atirar. Em vez disso deveriam atentamente vigiar os passos dos alemães.

As cantigas continuaram e os ingleses, inundados pelo espírito natalino, prosseguiram a cantoria, em sua própria língua, e em pouco tempo os oficiais alemães que falavam inglês começaram a desejar “Merry Christmas, Tommy”, numa alusão ao nome popular que os alemães davam aos soldados britânicos. Em retribuição os soldados britânicos agradeceram da mesma forma, desejando um feliz Natal a “Fritz”.

Em pouco tempo eles trocaram informações de que estava decidida a trégua, totalmente não oficial, e os soldados então se propuseram a comemorar na “Terra de Ninguém” (território entre as duas trincheiras, marcado pela destruição), bebendo juntos.

Edward Hulse, um tenente britânico, na época com 25 anos de idade, escreveu no diário de guerra do seu batalhão: “Nós iniciamos conversações com os alemães, que estavam ansiosos para conseguir um armistício durante o Natal. Um batedor chamado F. Murker foi ao encontro de uma patrulha alemã e recebeu uma garrafa de uísque e alguns cigarros e uma mensagem foi enviada por ele, dizendo que se nós não atirássemos neles, eles não atirariam em nós”.

Uma curiosidade é que o papa da época, Bento XV (nominalmente antecessor do atual papa), solicitara anteriormente que cessassem as hostilidades no período do Natal, embora os poderes centrais da época, ao que tudo indica, não seguiram as recomendações, ficando por conta dos soldados declarar a trégua.

As notícias sobre tal fato chegaram também a tropas francesas e belgas, de modo que existem relatos acerca da confraternização entre essas tropas com as alemãs.

Os Natais dos demais anos de guerra não contaram com nenhuma trégua, sendo que em tais períodos houve apenas o aumento de bombardeios, usando de todo desprezo possível para com o Natal.

Embora seja irônico, o fato de soldados anteriormente motivados a matar brindando com seus alvos nos relata a estupidez primordial das guerras, e como a paz é empiricamente mais prática com os atributos corretos. A Trégua de Natal, em inglês “Christmas Truce” e em alemão “Weihnachtsfrieden”, é um fato de guerra distante, mas inspirador.

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